quarta-feira, 13 de agosto de 2008

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IMUNOLOGIA
A resposta imunológica tem grande aplicação no diagnóstico de laboratório, pois é sensível e específica. Entende-se por sensibilidade a capacidade de qualidade extremamente pequenas de antígenos( frequentemente picogramas) serem suficientes para iniciar uma resposta imunológica detectável.
No início, o diagnóstico imunológico se restringia à demonstração de anticorpos circulantes contra agentes infecciosos. Assim foi realizada a reação de Widal para o diagnóstico indireto da febre tifóide, atráves da demonstração de aglutininas no sangue circulante. A sorologia clássica baseava-se na busca de um aumento de título entre soro colhido na fase aguda da doença e o soro colhido na fase de convalescenças.
Verificou-se posteriormente que devido à existência de antígenos cruzados, podemos fazer algumas reações imunológicas mesmo sem se ter o antígeno específico. Por exemplo, a reação de Wassermann é feita com cardiolipina e a reação de Weil-Felix se baseia em antígenos de Proteus, que apresentam cruzamentos antigênico com requétsias.
O uso de anticorpos para a identificação de antígenos de microrganismo também se iniciou com febre tifóide, na direção do agente dessa infecção com o agente da cólera, por meio de soros específicos.
Hoje, os métodos imunológicos ampliaram sua ação para estudar os distúrbios do próprio sistema imunológico. Células linfóides anormais podem pertubar a produção de imunologlobinas, defeitos congênitos podem prejudicar a produção de anticorpos circulantes, a função dos linfócitos, macrófagos, neutrófilos ou do complemento. A resposta imunológica anormal pode causar doenças alérgicas ou doenças auto-imunes.
Assim, os métodos imunológicos estão em grande desenvolvimento e novas técnicas são frequentemente descritas.

PARASITOLOGIA
As doenças parasitárias continuam a ser um problema significativo no mundo todo, especialmente nas áreas tropicais e subtropicais de países em desenvolvimento.Doenças como a malária, que estava sob razoável controle em várias áreas, estão novamente aumentando sua incidência. Não apenas relaxamento em medidas de controle como também o surgimento de cepas de insetos resistentes a inseticidas estão contribuindo para isso.É fundamental a importância do laboratório clínico na confirmação do diagnóstico das infecções parasitárias.

MÉDOTOS EMPREGADOS

O diagnóstico de laboratório das parasitoses compreende métodos diretos e indiretos.

Os métodos diretos envolvem:

 Encontro do parasita ou um de seus estágios evolutivos, no material colhido de um paciente
 A manipulação do parasita por meio de cultura ou pela inoculação de animais, possibilitando a demonstração dos mesmos.

Os métodos indiretos envolvem:

 Reações imunológicas com as quais se pesquisa, “in vitro”, a presença de anticorpos produzidos pelos pacientes contra os parasitos ou seus antígenos purificados
 Reações intradérmicas, pesquisando-se a imunidade no próprio paciente.

No laboratório clínico o diagnóstico geralmente é feito pela demonstração do parasito ou de um de seus estágios evolutivos, através de seus aspectos macroscópicos ou microscópico, após a coloração ou não, dependendo do caso.

CUIDADOS COM EXAMES PARASITOLÓGICOS

Com a evolução da mentalidade dos laboratoristas, está se dando um importância cada vez maior à infecciosidade dos materiais colhidos dos pacientes. Sabemos hoje que muitas amostras submetidas a exames parasitológicos são potencialmente infecciosas.Sangue ou amostras de tecidos contendo parasitas da malária, tripanossomas, leishmanias ou toxoplasmas podem causar infecção se houver uma solução de continuidade na pele.Podem ser também infecciosa amostras de fezes frescas contendo cistos de protozoários, trofozoítos de Dientamoeba fragilis, ovos de Enterobius vermicularis, Hymenolepis nana ou Taenia solium ou amostras contendo larvas filariformes do Strongyloides stercoralis.

HEMATOLOGIA
A hematologia é uma especialidade médica, clínica, que trata doenças como: anemias congênit6as e adquiridas, leucopenias, hemofilia e outros distúrbios da coagulação, hemoglobinopatias(doenças falciformes...), leucemias agudas e crônicas, mieloma mpultiplo, púrpuras, AIDS entre outras.

COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO

Qualquer que seja a origem do material a ser coletado para um exame hematológico, devemos sempre levar em consideração as seguintes normas:

1. O paciente deve estar bem acomodado e psiquicamente preparado;
2. O material a ser usado deve ser limpo, bem esterilizado, ou, melhor ainda, devemos preferir o descartável(lancetas, agulhas, seringas);
3. A escolha do local para se retirar sangue deve ser feita em função da qualidade necessária e calibre do vaso a ser puncionado;
4. O local a ser puncionado deve ser limpo com solução anti-séptica(álcool a 70%)
5. O garroteameto para a estase venosa não deve ultrapassar de um minuto, evitando-se congestão local e hemoconcentração;
6. O sangue deve fluir facilmente do local da punção;
7. Após a retirada do material deve-se fazer a distribuição do mesmo, para tubos receptores, depois de retirar a agulha da seringa;
8. Os esfregaços em lâminas devem ser feitos logo após a colheita, evitando-se a coagulação;
9. Quando o material é colhido com anticorpos, a homogeneização do mesmo deve ser delicada, evitando-se a lise das células;
10. Quando deseja uma grande quantidae de material, deve-se usar tubos com vácuo que permitem que a coleta seja mais rápida, bem como fácil troca dos tubos sem manipular muitas veias do paciente;
11. Após a punção, deve-se fazer uma hemostasia compressiva no local.

URINÁLISE
A urinálise é o nome atribuído aos exames realizados na urina. O exame de urina consiste de uma série de provas seletivas ou de detecções que permitem descobrir uma variedade de enfermidades renais, do trato urinário e sistêmico.
O exame deve ser feito sempre que a pessoa fizer outros exames, de rotina ou não, ou quando apresentar alguns sintomas ou alterações na urina. Quanto mais frequentes forem os exames de rotina, mais cedo poderá ser revelada a doença renal, diabetes, infecção...
Urina é o fluído corpóreo examinado com maior frequência, assim sendo, existe um grande número de análises que podem ser realizadas com as amostras de urina. Não somente para Urologia e Nefrologia, mas também para diagnósticos especiais, avaliação e terapia de desordens metabólicas e hormonais, assim como, substâncias tóxicas em vários outros distúrbios orgânicos.
O método correto de coleta, assim como, um transporte seguro e a conservação da amostra são as principais exigências para o sucesso dos testes.

BIOQUÍMICO
São denominados elementos bioquímicos todas as substâncias que estão presentes no organismo, e podem se dosadas para detectar algum desequilibrio no funcionamento do organismo. Tais substâncias fazem parte do nosso metabolismo, sejam como produtos ou substratos de reações bioquímicas, com a presença de cofatores.
Componentes orgânicos: cloro, iodo, fósforo, potássio, sódio, magnésio, ferro e sulfato.
Componentes orgânicos: proteínas(albumina, globulina e fibrinogênio), nitrogenados não protéicos( uréia, creatinina, , ácido úrico, amônia e aminoácido), glicose e gorduras( colesterol, fosfolipídios, triglicérides e ácidos graxos)

MICROBIOLOGIA
Basicamente, MICROBIOLOGIA é o estudo dos microrganismos. E microrganismos são as formas de vida que, originalmente, só poderiam ser vistas com o auxílio do microscópio óptico (posteriormente, com o microscópio eletrônico). Elas incluem Bactérias, Fungos, Vírus, Protozoários, Algas unicelulares, Viróides e Prions. Uma maneira de compreender melhor essas divisões está representada abaixo:
Grandes áreas:Bacteriologia,Micologia,Virologia.
A palavra MICROBIOLOGIA (introduzida em 1899) vem da junção do elemento de composição grego mikrós- , que significa pequeno e é utilizado em inúmeros vocábulos eruditos, principalmente a partir do séculos XIX, e -biologia (grego bíos, vida + grego lógos, estudo, tratado).


Todo resultado liberado pelo laboratório de microbiologia é conseqüência da qualidade da amostra recebida.
O material colhido deve ser representativo do processo infeccioso investigado, devendo ser eleito o melhor sitio da lesão, evitando contaminação com as áreas adjacentes.
A coleta e o transporte inadequados podem ocasionar falhas no isolamento do agente etiológico e favorecer o desenvolvimento da flora contaminante, induzindo a um tratamento não apropriado.
Portanto, procedimentos adequados de coleta devem ser adotados para evitar o isolamento de um “falso” agente etiológico, resultando numa orientação terapêutica inadequada.
- Colher antes da antibioticoterapia, sempre que possível.
- Instruir claramente o paciente sobre o procedimento.
- Observar a anti-sepsia na coleta de todos os materiais clínicos.
- Colher do local onde o microrganismo suspeito tenha maior probabilidade de ser isolado.
- Considerar o estágio da doença na escolha do material. Patógenos entéricos, causadores de diarréia, estão presentes em maior quantidade e são mais facilmente isolados durante a fase aguda ou diarréica do processo infeccioso intestinal. Na suspeita de febre tifóide, a fase aguda da doença irá determinar o melhor local da coleta (sangue/fezes).
- Quantidade suficiente de material deve ser coletado para permitir uma completa análise microbiológica. Caso a quantidade seja pequena, priorizar os exames.
- O pedido do exame deve conter, além da identificação do paciente, dados como idade, doença de base e indicação de antibióticos.
Transporte das Amostras

Transportar as amostras imediatamente ao laboratório para:
Assegurar a sobrevivência e isolamento do microrganismo, pois o laboratório de microbiologia trabalha basicamente em função da viabilidade dos microrganismos;
Evitar o contato prolongado dos microrganismos com anestésicos utilizados durante a coleta, pois eles poderão exercer atividade bactericida;
Evitar erros de interpretação nas culturas quantitativas, principalmente urina e lavado broncoalveolar.
Consultar o laboratório para verificar a disponibilidade dos meios de transporte.

Tempo Crítico para Entrega da Amostra ao Laboratório e Meios de Transporte

AMOSTRA TEMPO CRÍTICO FRASCOS E MEIOS DE TRANSPORTE
Liquor Imediatamente (não refrigerar) Tubo seco estéril
Líquido pleural Imediatamente (não refrigerar) Tubo seco estéril
Swab Imediatamente (não refrigerar) Tubo seco estéril ou meio semi-sólido (Stuart, Amies)
Suspeita de Anaeróbios 30 minutos Meio de transporte apropriado. Evitar o transporte em seringa com agulha.
Feridas e tecidos 30 minutos ou até 12 horas (meio de transporte) Meio de transporte apropriado.
Hemocultura 30 minutos (não refrigerar) Frascos com meios de cultura para rotina manual ou automatizada.
Trato respiratório 30 minutos Tubo seco estéril
Trato gastrointestinal 1 hora Tubo seco estéril
Urina 1 hora ou refrigerada até 24 horas Pote seco estéril
Fezes 12 horas se em meio de transporte Cary Blair, meio modificado para transporte de fezes, com pH 8,4. Boa recuperação também para Campylobacter sp e Vibrio sp.

PROCEDIMENTO PARA COLETA E TRANSPORTE DE AMOSTRAS CLÍNICAS
A amostra deve ser identificada com nome do paciente, número de registro hospitalar (quando for o caso), tipo de amostra e data da coleta. A requisição médica que acompanha a amostra deve conter, sempre que possível, as hipóteses diagnósticas que auxiliarão o micologista na escolha da coloração e do meio de cultura mais adequado para o isolamento do agente etiológico.
O tipo e a qualidade da amostra biológica, submetida ao laboratório de micologia, são fatores importantes no sucesso do isolamento e identificação do verdadeiro agente etiológico de infecções fúngicas. A assepsia na coleta e o volume da amostra são fatores básicos para o sucesso do diagnóstico da infecção.

PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE AMOSTRAS
Escarro: Recolher, de preferência, a primeira expectoração da manhã, após gargarejo com água limpa ou fervida, em frasco de boca larga, esterilizado. Não deve conter saliva.
Aspirado gástrico: Aspirar cerca de 5 a 10 ml de suco gástrico, através de sonda nasogástrica, pela manhã, em jejum.
Aspirado traqueal e secreção obtida por broncoscopia: Procedimento realizado por médico treinado. O material colhido deve ser colocado em recipiente estéril.
Sangue e aspirado de medula óssea: Fazer assepsia rigorosa no local da punção e coletar cerca de 5 a 6 ml de sangue venoso, que deverá ser injetado diretamente, em frasco contendo meio de cultura (ver detalhes no próximo ítem). A última gota de material deve ser distendida em uma lâmina de microscopia, para coloração de Giemsa.
Líquor: Fazer assepsia rigorosa no local da punção. Coletar 2 ml ou mais, para exame microscópico e cultura para fungos. Os tubos na rotina hospitalar devem ser usados na seguinte seqüência: 1º exame bioquímico, 2º exame de celularidade, 3º microbiológico, reduzindo assim a possibilidade de isolamento de contaminantes da pele. Entretanto, a coleta da amostra em tubos específicos para cada um desses exames, aumenta a sensibilidade do exame micológico e, por isso, deve ser recomendada.
Tecido obtido por biópsia, necropsia e peças operatórias: Colher assepticamente, utilizando instrumentos estéreis e colocar o material em recipiente estéril, com salina. Não adicionar nenhum líquido fixador.
Urina: A amostra biológica mais apropriada para o diagnóstico de micose do trato urinário é obtida por sondagem ou citoscopia. Quando não for possível, e para evitar contaminação com microrganismos presentes nas áreas vizinhas, fazer limpeza prévia da região perineal com água e sabão, desprezar o primeiro jato de urina da manhã, e colher 3 a 5 ml de urina em tubo de ensaio estéril.
Coleções de 24 horas, não têm valor para diagnóstico micológico.
Fezes: Fazer lavagem prévia da região anal com água e sabão, coletar porções de fezes em recipiente estéril com tampa ou “swab” anal, mergulhar o “swab” em salina estéril e enviar o tubo ao laboratório.
Secreção ou pele de conduto auditivo externo: Colher material por curetagem da lesão ou com “swab” estéril. Mergulhar o “swab” umedecido em salina estéril e enviar o tubo ao laboratório.
Material de micose ocular: O melhor método para recuperação de fungos requer raspado de córnea, aspiração de líquido intra-ocular ou biópsia.
A coleta, com auxílio de “swab”, não é indicada em local de drenagem.
Lesão de nariz e seios paranasais: Coletar secreção, material necrótico ou tecido obtido por biópsia em recipiente estéril.
Mucosa oral e orofaringe: Coletar com “swab” estéril o material de lesão de mucosa jugal, papilas linguais ou região tonsilar. Mergulhar o “swab” umedecido em salina estéril e enviar o tubo ao laboratório.
Secreção vaginal: Com auxílio de espéculo, coletar material da lesão ou do fundo de saco vaginal com “swab” estéril. Mergulhar o “swab” umedecido em salina estéril e enviar o tubo ao laboratório.
Liquídos corporais (pleural, ascítico, pericárdico, sinovial): Fazer assepsia rigorosa no local da punção. Coletar cerca de 5 a 10mL de líquido em tubo de ensaio estéril.
Pus e material de abscesso: Devem ser colhidos de preferência, por aspiração de abscessos fechados, com seringa e agulha estéril. Se a lesão for aberta, limpar o local, com gaze esterilizada embebida em salina estéril, para eliminar os exsudatos superficiais que são altamente, contaminados com bactérias. A seguir, colher o material com “swab”. Mergulhar o “swab” umedecido em salina estéril e enviar o tubo ao laboratório.
Pele e pelos: Se possível descontaminar a pele com álcool 70% antes da coleta. Raspar com lâmina de bisturi as escamas cutâneas da borda das lesões . Pode-se utilizar também, uma lâmina de microscopia. Colocar o material entre duas lâminas limpas, de preferência esterilizadas, vedando-se as bordas das lâminas com fita adesiva para evitar perda do material. Os pelos tonsurados, devem ser retirados com pinça estéril e acondicionados entre lâminas ou em potes, de preferência esterilizados.
Unhas: Fazer limpeza prévia das unhas, escovando com água e sabão. Cortar com tesoura e desprezar a parte descolada da unha e, com lâmina de bisturi, raspar as áreas mais profundas e pulverulentas. Colocar este material em frasco coletor de boca .

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